sábado, 22 de dezembro de 2007

Noite de Sol



Idéia Maior

Hoje, só a revolução me abre os olhos.

Como se estivesse entorpecido pela sobriedade
Que a liberdade me traz.
Sinto-me solto pela idéia da não idéia.
Pela imagem da raiz ideal.

E ela é linda como a propriedade da
Água de fluir.
Linda como o momento de encher meus
Pulmões de ar.
De ser sereno na noite linda
Da revolução a cair e impregnar
As cabeças e os espíritos
Dos homens e mulheres serenos.

O pensamento nela me aparta de
Todos os outros.
Me liberta do resto das idealizações.
Faz em si mesma a idéia maior,
Mais linda e pela qual eu
Vivo morro todos os dias.
Pela qual sou mais livre,
Sou mais humano e mais material.
Pela qual revoluciono,
E me apaixono todos os dias.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Viver é Melhor que Sonhar

Sou Salvo A Cada Dia

Sou salvo a cada dia, pela incerteza.
Que me livra da dor de cada dia.
Me torna um sofredor sem profissão.
Sou salvo por este dia de não saberes
Dolorosos.
Mais que saber, a fome me mata de dor.
A tristeza me mata de dor.
A penúria me mata de dor.
Mas sem morrer da morte inglória
Dos que rejeitam a dor deste dia.
E sou salvo pelo dia,
Que acende flamejante em minhas noites mal-dormidas.
Em andorinhas a queimar o ar que respiro.
E como respiro mal, meu Deus!
Mal este mundo me adentra os pulmões,
Me saem os espíritos da morte que
Minh´alma rejeita em repulsa
Da incerteza que me salva.
Graças ao bom deus não morro.
Deus que odeio de morte.
Deus que quero morto! Que desejo subsumido,
Consumido pela terra que me fez.
Terra que me salva.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Síntese da Vida

Viver É Ser Livre

Sou a contradição de mim mesmo.

Contradigo e digo que contradigo.
Sou revolucionário de papel,
Sem saber o papel de revolucionário.
Sou burguês e proletário num só
Corpo orgânico e mortal.
E como tal me mato aos poucos,
Pois nego o que me faz, o que me
Constitui. A relação que me forja
Todos os dias, eu quebro e me derreto.

Me mato todos os dias. Pois se matar
É viver. É ser livre para ser livre.
E ser livre para morrer.
E morrer é a contradição fundamental da vida.
Que só o é pela morte que carrega.
E se matar é estar cada vez mais vivo,
E cada vez mais livre de morrer.
Se matar é viver.

E revolucionar é morrer. E só morre
O que nos faz melhores, o que nos faz mais livres.
O que nos faz mais vivos.
Então matar é revolucionar a própria vida.
É expor sua contradição. É contradizer a ordem
Que nos prende, que nos mata.

Por isso deus é morto. Porque nunca viveu
A vida dos homens que vivem a morte dos homens.
Por isso minha moral é a revolução de si mesma.
É o seu processo de morte e vida, vida e morte.
Por isso meu Deus é a Liberdade e minha fé
É na História, nos meu irmãos que morrem
Pra viver. E vivem pra ser livres.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Realidade De Um Rio

Revolução (na Ciência) Social

O movimento estudantil passa hoje por um momento de crise evidente e se faz presente inevitavelmente uma profunda reflexão e reavaliação de si mesmo e de seus rumos nesta conjuntura. O que vemos e vivemos em nosso cotidiano universitário imponentemente nos chama ao questionamento.

Aprendemos por repetição neste mundo de pós-modernismos “inevitáveis” e “intransponíveis”, que vivemos num mundo sob um paradigma aparadigmático de não verdades falsas, de não saberes sábios, da negação da negação. Nos adestramos a reconhecer o passado como um museu de animais empalhados e mortos que faz do hoje um mundo onde a realidade é uma alface hidropônica e transgênica que não precisa de terra pra crescer. Nos criamos numa realidade órfã de nós mesmos. Onde somos cada vez mais agentes passivos de uma ordem que já saiu de moda ser questionada. Onde cada vez menos ou nem nos reconhecemos como agentes da realidade, da transformação, pois se tornou antigo e mofado pensar em mudar o mundo, em nos livrar do que nos atrapalha, do que nos causa penúria sem causa.

Parece que a abstração nos engoliu. Parece que a verdade travestida de secularismo do mercado, a verdade absoluta que deslegitima tudo que a nega, se fez maior que as nossas possibilidades de nos libertarmos. Mas igualmente à própria verdade do mercado, isso só parece. Mas como parecença não é essência, a possibilidade está à mão de quem a busca. Como os monstros da caverna de Platão, o mercado, por mais que pareça, não é maior que nós, não maior que nós enquanto nos pensarmos coletivamente, enquanto nos pensarmos como de fato somos, pois somos zoompolitikom, somos animais sociais, seres coletivos e assim que agimos mesmo neste mundo do mercado. Por mais que não pereça, que pareça o oposto, o que de fato somos e como de fato agimos é dentro para e com a coletividade, com a sociedade.

Por isso a realidade, e como ela se mostra pra nós hoje, faz evidente a importância do nosso papel de agentes pensantes e críticos, por mais que seja difícil e por mais que pareçamos nadar contra a maré. Por mais que o mercado nos rechace e nos coloque uns contra os outros, é premente neste momento, é fundamental nesta conjuntura que exerçamos agora nosso vital papel de militantes (por mais que esta palavra seja antiga, seu significado é sempre eterno) militantes do mundo, do nosso espaço e da nossa realidade. Mas isso só será possível coletivamente, só será possível enquanto ação política na prática, ação coletivizante, ação coletiva.

O que vivemos hoje na instância principal de mobilização coletiva dos futuros cientistas sociais pensadores críticos produtores de conhecimento da sociedade pra sociedade e pela sociedade da Universidade Federal Fluminense precisa de uma transformação, de uma revolução, de uma quebra de paradigmas dogmáticos de negação da negação niilista e aristocrática, para uma forma dinâmica e orgânica que atenda a coletividade e seja uma instância que nos sirva de arma contra as imposições e arbitrariedades do mercado transfigurado e materializado nas ações do governo e reitoria. Que nos torne mais vivos enquanto organismo social, mais mobilizados e mobilizantes, com menos medo das sombras nas paredes da caverna e mais corajosos em saber o real tamanho desse monstro abstrato.

E a nossa participação tem mostrado que é neste caminho que queremos continuar. No caminho da vital necessidade de transformar, de participar, de mobilizar cada vez mais nosso mundo acadêmico motivado principalmente por essa conjuntura de ataques violentos por parte do governo/reitoria ao ensino público e à nossa Universidade em especial. E nossa realidade hoje no Diretório Acadêmico é a de um estado em evidente trilha de mudanças e impassível de se voltar ao estado anterior ao da assembléia do dia 25 passado. Por isso estamos num momento de transformações profundas, que a mim são análogas às de um momento revolucionário. Cabe a nós enquanto coletividade dos estudantes de Ciências Sociais optarmos por apenas reformas estatutárias, que somente irão beneficiar os acomodados acomodantes do DA niilista e aristocrático que não nos representa, ou escolhermos aprofundar e radicalizar a ruptura com o status quo passando por cima do burocratismo estatutário e fazendo um Diretório Acadêmico mais representativo e atuante do jeito que queremos.

O modelo atual de auto-gestão não representa um mal em si, e teve sua importância histórica num dado momento. Mas hoje, passada a experiência, temos e devemos continuar o processo de aperfeiçoamento do sistema. Pois o sistema, qualquer que seja, não funciona enquanto modelo abstrato, modelo de dever ser, que culpa os indivíduos por seu mau funcionamento. Mas todo sistema deve ser subjugado à dinâmica da práxis, à dinâmica do mundo real. É nosso direito e dever legítimos transformar e retransformar, derrubar, levantar, revolucionar qualquer sistema de diretrizes e leis que organizem nossas vidas, e qualquer forma de negar ou tentativa de barrar esse movimento natural é a clara amostra de resistência do espírito reacionário, conservador e contra-revolucionário que se agarra às formas antigas que de alguma maneira lhe dão algum tipo de sustento. Por isso é mais do que legítimo e necessário a nossa intervenção na realidade, e principalmente a realidade do movimento estudantil no qual estamos imersos. E a partir da reflexão e ação, poderemos pôr em prática o ato mais revolucionário, o de sermos o que de fato nós somos: senhores e senhoras de nossa própria história.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Poesia (Anti-Abstrata) da Matéria

"Desenvolver ao máximo a sensibilidade até sentir-se angustiado quando se assassina uma pessoa em qualquer lugar do mundo e para sentir-se entusiasmado, quando em algum lugar do mundo, se alça uma nova bandeira de liberdade." Che Guevara



Poeta da Práxis

A diferença entre um fascista e um comunista é a poesia.

O comunista é antes de tudo um poeta. Um poeta da práxis. Poeta das coisas vivas e pulsantes, poeta da energia de que somos feitos e que nos move, que transforma, revoluciona. Poeta da terra, da vida real, do mundo real dos homens reais, das mulheres e das criancinhas. Poeta de si mesmo em oposição à poesia das abstrações imaginárias que flutuam sem sustento. Que se sustentam pelo sopro das falácias que insistimos em nomear, em dar sentido. Pelo medo das sombras na parede.

O comunista é poeta de poesia tácita que escreve a poética do impulso radical da vida com suas mãos e braços no mundo que revoluciona. Escreve com o silêncio de suas ações, com a placidez de seus brados o poema maior, que abstração nenhuma dá conta de contar.

O comunista marca, à caneta ou não, na terra em que bem anda com seus irmãos, a matéria que exala de seus poros, a matéria bela que bem sustenta seus belos pés, a matéria que os alimenta e da qual é feito e pela qual a cada passo revoluciona.

O fascista chora vendo bambi e anda com medo pelas ruas.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Humanidade Universal

Princípio Humano de Igualdade

Diferenças não existem.
É tudo uma construção histórica que se desmancha no ar.
Não podemos nos dividir mais que já nos estamos dividindo. O conceito de raça já se desfez no ar das ciências biológicas. Já não passa de mofo persistente em alguns artigos científicos, mas nada mais além.
O foco da grande questão está nessa necessidade por identidade. Principalmente pela identidade de quem foi e é historicamente excluído. A quem se expropriou o mínimo direito da não vergonha pelo que se é, o direito à auto-estima, e principalmente o direito à propriedade de si.
Entendo, apóio e estou certo da legitimidade da luta pelo fim das desigualdades, pelo fim da subserviência, pela liberdade de ser o que se verdadeiramente é. Contudo. Me preocupo. Pois a falta de identidade gerada pela doença social, nos leva a não saber ou desconhecer o que profundamente nós somos. Entendo o quanto um negro demorou a não ter vergonha de si, o quanto dispendioso foi e árdua a luta interna pela afirmação de sua não inferioridade, diariamente afirmada pelo monstro superegóico das castas sociais. O quanto se sentia feio e diferente. O quanto sempre quis ter nascido branco. O quanto demorou a querer ser negro. Entendo e sinto junto.
Entendendo o peso ideológico de anos-séculos de hierarquização racial. Podemos entender também o movimento negro de políticas afirmativas, que têm uma origem na política de auto-afirmação de cada indivíduo que a compõe. Entendo profundamente e por isso temo. Pois também entendo um outro movimento histórico de afirmação de raça, de também auto-afirmação individual, que tem origens sentimentais parecidas, mas bem menos cruéis como no caso negro. Não estou querendo comparar o movimento negro ao nazismo, mas à metodologia de análise social que em ambos os casos é parecida. Ambos se afirmam enquanto raça, ambos estabelecem a diferenciação humana pelo conceito de raça. Ambos almejam um despontar social baseados numa divisão de grupos humanos pela idéia de identidade de raça. Conceito este que estava legitimado pelas ciências biológicas do início do século XX, mas que hoje já não passa de entulho cultural.
O preconceito e discriminação existem e são marcas profundas de nossa sociedade. Mas são práticas sociais que se baseiam na hierquização de raças. São pressupostos ideológicos falsos. Igualmente ao conceito de raças, que não se sustenta sozinho. Não existe raça para quem não acredita. Existe gênero, mesmo àqueles que não acreditam. Existe velhice mesmo àqueles que não acreditam. Existe classe social mesmo àqueles que não acreditam. Mas não existe raça senão enquanto afirmação cultural. Ou seja, raça é um pressuposto histórico que se não se sustenta na realidade, só se baseia na idéia.
O que eu vejo é mais que uma luta por igualdade – que não irá além se não olharmos a raiz da mesma – é uma luta por uma afirmação da idéia e não da práxis, ou não da práxis baseada numa idéia verdadeira, que se confirme no mundo real. O problema é a tomada deste conceito ideológico social que sempre teve um caráter dominatório, como parte da realidade, o que não o é. Só a idéia existe, e ela cria práxis. Mas é uma idéia falsa. Não podemos nos dividir enquanto brancos e negros ou amarelos, verdes laranjas. É tudo construção cultural, vinda de uma cultura ruída e pútrida de nossos pais, que temos o poder de transformar, de pôr abaixo. Que só transformando e destruindo poderemos ser iguais. Enquanto iguais que realmente somos. Enquanto humanidade igual.
Se existem menos negros que brancos em universidades, empregos qualificados, restaurantes bonitos, clubes e resorts, e realmente existem menos, bem menos, não se deve a um impedimento de raça, mas sim à forma estrutural e estruturante da sociedade. Se deve ao fato de existirem mais negros pobres e mais brancos ricos, mas não são pobres por serem negros nem são ricos por serem brancos. Se deve à origem histórica da desigualdade. Se deve à origem escrava da população negra e a origem mais abastada da população branca, se deve ao fato de que nosso sistema social é feito para que os ricos sejam cada vez mais ricos e os pobres continuem pobres e se possível se tornem cada vez mais pobres. E o fato de associarmos o negro ao pobre, ao marginalizado, desescolarizado e excluído não é um erro, é um efeito ideológico de estereotipização. É aí a origem do preconceito e da descriminação. O medo do bandido favelado que na maioria das vezes é negro, nos faz estereotipar as pessoas, colocá-las em pacotes e defini-las pela aparência. É justamente aí a origem de todo o erro, nos definir pela aparência. Pelo que a cultura nos diz que somos e não pelo que realmente somos, não pelo aspecto humano universal que realmente nos determina, mas por divisões advindas de um erro histórico. O preconceito racial mascara a raiz que é a exclusão social.
Ser branco ou ser negro realmente não importa se queremos lutar pelo fim da desigualdade. O que importa é achar a raiz do problema, e ela é social. Como podemos ter uma sociedade sem privilégios de classe, sem preconceitos raciais ou sociais? É afirmando o que somos! E somos iguais! E só seremos iguais na prática se tivermos as mesmas condições matérias. Se não mais existirem ricos ou pobres, distinções de classe que nos dividem de fato, no muno real do capitalismo, e nos confundem com divisões imaginárias. E só a igualdade prática gera igualdade prática. Só a igualdade sólida que é a nossa humanidade não se desmancha no ar.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Papa Pós-Moderno

Medievalismo Pós-Moderno

Acho oportuno o momento para expressar minha opinião sobre o aborto. Já que, se para alguns é impossível a vinda de deus ao Brasil, para uma boa parte da população mundial, ele mandou seu mais legítimo representante às nossas terras essa semana. E é inegável a importância daquilo que sai de sua boca papal, creio eu, não só para os adeptos mais praticantes do catolicismo, mas também ao resto da nossa civilização. Digo isso, pois sei o quanto nos esforçamos para derrotar a cada dia o demônio dos medos e das culpas infernais que já há séculos fizeram e ainda fazem morada nas nossas profundezas inconscientes.
O sujeito Ratzinger, traz consigo uma mente brilhante e um pesado sistema filosófico herdado de São Tomás de Aquino. Pesado e Medieval. Seu objetivo, devo admitir, é tão anacrônico para mim quanto para a ideologia dominante, porém por razões distintas. O papa quer cordeiros obedientes para seu decrescente rebanho, já o mercado quer “expandir negócios”, nem que seja às custas da introdução e reprodução de novos e antigos valores que reafirmem ou pelo menos não neguem a ideologia mercadológica. A diferença está na crença do papa de que isto seja a “relativização dos verdadeiros valores”, dos “valores cristãos”. Analiso essa situação da seguinte forma: O papa não quer que a igreja faça concessões ao mercado e por outro lado, como a religião sempre fez historicamente, faz menos concessões ainda à liberdade dos homens.
De um lado reafirma as verdades postas cheias de pecado e medos infernais do cristianismo tomista e por outro tenta isolar o catolicismo do ideal pós-moderno, onde tudo é mercantil e tudo é mercantilizável. O que sua cabeça cheia de razões legitimadoras de medos não vê com clareza é que não existe relativização de nada. O que existe é uma verdade absoluta velada na própria relação entre o capitalismo e seus meios de se adaptar às suas crises cíclicas. Em outras palavras, o mercado precisa se expandir senão entrará em colapso. E os meios de se expandir e se adaptar para sobreviver levaram o sistema a flexibilizar valores antes rígidos ou mais rígidos. Bons exemplos para ilustrar a idéia são: a aceitação social cada vez maior do divórcio, do sexo antes do casamento e até da homossexualidade. Vejo isso com bons olhos. São necessidades e condições humanas legítimas que apesar de contrariarem as convicções religiosas ocidentais conservadoras, tiveram de ser abarcadas por uma necessidade de mercado. Mostrando assim a fragilidade do sistema capitalista, e um pouco da vitória dos liberais sobre os mofados conservadores nazistas. E o papa aparece, a meu ver, como um ponto de resistência dessa nazistada.
E bons sabedores de história que somos, sabemos que liberais sozinhos já tropeçam nos próprios cadarços que acreditam não existir.
Bem, eu queria falar sobre o aborto. Sou contra abortar, mas sou a favor da legalização. É simples, primeiro que proibir é marginalizar, é distanciar socialmente as pessoas que cometem o aborto sem que possamos, enquanto sociedade, acolher e conhecer melhor suas razões, segundo, ao contrário do papa, acredito nas pessoas e sei que se criarmos condições para que ninguém tenha ao menos um argumento para abortar, não haverá aborto e, por conseguinte, tão pouco um único argumento que legitime a necessidade da proibição.
Me encontro bastante otimista, apesar de saber que ainda há muita força no medo e na culpa apregoadas em nossas mentes juvenis.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

A Nau dos Loucos

Na antiga "Dark Age"(se me permitem utilizar esse termo dito por muitas autoridades como inadequada), os loucos - aqueles que não compartilhavam os pensamentos sociais comuns, eram banidos do convívio da cidade sendo enviados em uma nau aos montes e deixados à sua sorte. os contemporâneos dessa época utilizavam desse meio para lidar com algo que não lhes era passível de compreensão. A figura ao lado - de autoria do holandês Bosch, é talvez uma crítica contemporânea de sua sociedade, mostrando talvez que os loucos sejam outros (a exemplo dos padres presentes na nave). Digam-me: o que fazemos com "nossos loucos" hoje? A história se repete?! Ou se mantém?... Não é só com a loucura...

domingo, 29 de abril de 2007

Filhos do Mundo, Uni-vos!

Manifesto Comunista Libertário


Não quero mais viver sob o jugo de meu pai.
Não quero mais a dependência atrofiante dos olhos atentos e incansáveis das leis de meu pai.
Não quero mais nascer nos limites cercados e arbitrários das linhas imaginárias marcadas por meu pai.
Não quero mais ser filho de meu pai.
Não quero mais meu pai.
Não quero mais ser meu pai.

Não quero mais saber de meu pai em minha vida. Meu pai em minhas frases. Meu pai em meus sonhos.

Vou sair da casa de meu pai e morar sozinho com meus irmãos solitários, onde minha casa será meu mundo, e meu mundo será meu. E só meu.

Onde Pátrio, Pátria, Patrão, Patrimônio, Paterno, petrificados em pútridas partes permear nossas vidas, libertar-nos-emos em nossas imagens de inconsciente servidão. De invisível certeza da aridez das falsas abstrações paternalistas.

Irmãos, assim como nascemos. Sem Pátrias! Sem fronteiras. Sem nações. Sem línguas ou culturas. Sem cores ou formatos de narizes. Sem religiões e seitas.
Sem certezas.
Só Nós.
Eu e Vocês.

E pai. Seja só pai. E menos deus.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Minha Cachaça

"Toda forma de vício é ruim, não importa que seja droga, álcool ou idealismo ."

Carl Gustav Jung

terça-feira, 13 de março de 2007

Será???

Tomas Hobbes disse a despeito da necessidade de um Estado autoritário e absolutista:"Own word, only sword". Será mesmo que sem o Estado - ou sem "seu" Leviatã, o homem tornar-se-ia seu predador("O homem é o lobo do próprio homem")? Tenho minhas dúvidas quanto a isso...

segunda-feira, 5 de março de 2007

O Céu É Anarquista [ Parte I ]

Já faz quatro anos. Sentados ao redor de uma mesa num simples barzinho, os quatro amigos reuniam-se para comemorar o aniversário de Marcelo, engenheiro de uma grande companhia de São Paulo. Rico, mas solitário. Somente três amigos para comemorar seu dia. Num dado momento da conversa, Tiago, líder de uma banda, começa a dissertar sobre seus shows e viagens. Até que Aline, que nunca ouvira banda do amigo, pergunta a Tiago como ele classificaria sua banda. E Tiago diz altivamente:
- Somos uma banda punk!! Gosto de dizer que somos anarco-punks... movidos pela atitude contra o sistema!

Logo após Tiago dizer isso de uma maneira orgulhosa e até mesmo arrogante, como se desdenhasse dos outros na mesa, Cláudio deixa escapar um sorriso sarcástico, notadamente expresso pelo que foi dito pelo amigo. Aline, que havia se constrangido um pouco pela atitude de Tiago, diz:
- Cláudio, correndo o risco de me passar por ridícula pela ignorância, gostaria de lhe perguntar uma coisa: o que é um anarco-punk?
Cláudio é o mais velho dos quatro e mesmo assim graduou-se em História recentemente.
Orgulhoso, Cláudio responde a Aline em tom de professor:
- Se bem me lembro, você é católica, não?
- Sim. Embora não seja praticante, freqüentei a Igreja até os meus treze anos com minha mãe, responde Aline.
- Então penso que pode responder facilmente essa pergunta: Aline... como você imagina ser o céu?

(continua...)

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Prefiro Ser

O Princípio da Contradição (A Dialética da Contradição)

Sou uma maquina de contradições.
Sinto o que não falo, falo o que
Não penso,
Sou o que não sinto.

Enquanto homem que contradiz
A máquina.
Enquanto máquina que contradiz
Por contradição de suas engrenagens.

Sou comunista de papel num mundo
Máquina de cujas engrenagens
São orgânicas. E sangram.
E choram lagrimas vermelhas no papel.

Qual papel não contradiz a máquina do
Mundo? Que mundo de papel é a maquina
Que nos fabrica contradições?

Contradigo e digo que contradigo.
Sou uma maquina de contradições,
Pois o que sinto não é o que vejo
E faço aquilo que contradigo.

Sou relativista de uma só verdade.
Sou contradição e coerência num corpo de
Várias faces e face de vários gestos
Unidos numa única direção.

Sou coerência e contradição.
Quando choro pelos homens
Que não choram pelos homens.

Não há contradição.
Só quando nossa contradição
Nos contradiz.



Essa é dedicada a Neck!

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Mundo Anarquista? Quando????

A despeito do conceito do modo de vida d'uma civilização pós-revolução anarquista,teríamos um modo de vida padronizado onde todos teriam consciência de seus deveres e direitos para com a sociedade.A minha questão à discussão é a seguinte:com os atuais valores de culturas relativizadas,onde cada vez mais se reduz a cultura ao nível individual,como uma sociedade pós-revolução poderia se sustentar nos dias de hoje?

Vendo que valores gerais são cada vez mais contestados pelas ciências atuais(em especial pela antropologia),de forma que - como já foi dito por Bower - a nossa sociedade torna-se cada vez mais "líquida",como seria possível a realização da revolução nos dias de hoje? As pessoas poderíam de forma fácil e natural abandonar sua cultura relativista para então poder pensar no todo? E essa nova sociedade?:seria ela mais mecanizada devido à falta de dinâmica que o atual sistema e sua cultura projetam?

Como revolucionar as mentes,e não apenas o sistema? A filosofia anarquista vai de encontro com filosofias crentes numa verdade única e universal? Como combater o relativismo,se essa for a questão?

Coragem é coisa de cabeludo!

Queria falar sobre essa discussão toda que está acontecendo sobre como devemos lidar com a questão da violência, que há tempos existe, mas que atingiu seu ponto crítico após o ocorrido com aquele menino, ou com aqueles meninos, em consequência de um roubo de carro no Rio.

O ocorrido se não chocante, (por estarmos já, estranhamente, acostumados) foi no mínimo enojante. Claro que não foi a primeira vez, nem é raro no Rio de Janeiro que se matem crianças e de forma tão repugnante. Mas esse fato despertou de forma diferente a nossa atenção. Talvez porque não tenha sido tão fácil passar despercebido, como acontece diariamente nos outros casos de infanticídio. Talvez porque tenha ocorrido diante dos olhos e dentro da classe média carioca, que normalmente já naturalizou ocorrências parecidas, mas não pertencentes ao seu seio. Talvez pela mistura de sentimentos explosivamente latentes, encarceirados no cotidiano temerário dos moradores desta sociedade. Que agora pedem uma cabeça para aplacar seu vazio diário.

O que percebo brevemente pelos meios midiáticos são três pareceres que juntamente com suas propostas de solução, se diferenciam não de forma estanque, mas num leque em degradê.
O núcleo do primeiro tipo vislumbra o problema de forma mais simplista: O problema se resume na impunidade, na certeza que o criminoso tem de não ser punido, ou que cumprirá uma pena branda. A solução, dentre elas: o aumento do contingente policial, mais e melhores armamentos e equipamentos para a polícia, leis mais rígidas e punições mais severas, e a mais polêmica dentre todas, a diminuição da idade penal.
O segundo tipo prefere acreditar que a culpa são das instituições que temos. Que o problema principal é a má administração da máquina pública, como no caso da polícia, das penitenciarias, do sistema judicial. E a solução estaria no enxugamento da máquina, e em conseqüência a melhor administração das instituições responsáveis pela repressão que uma sociedade deve promover para ser pacífica.
Somente o terceiro grupo se encarrega de uma análise um pouco mais (deixo o adjetivo pra você), pois consegue, e parece que é realmente difícil, ver um pouco além do simples (mas muito complexo) fato. Para eles, o fato é tão simplesmente a conseqüência de uma coisa que existe, não é palpável, nem tangível e menos ainda aparece nas capas dos grandes jornais, mas que um conceito chamado “contradição” consegue traduzir razoavelmente bem. A sua percepção vem de perguntas (as melhores coisas geralmente surgem de perguntas e não de respostas) como: “por que somos tão diferentes às vezes?”, “de onde vêm essas diferenças?”, “se somos diferentes, por que às vezes buscamos as mesmas coisas?”. Até chegarmos a perguntas como: “será que se todos nós tivéssemos uma vida minimamente digna, atendendo às nossas necessidades básicas materiais e afetivas, com menos frustrações que conquistas com mais carinho que maltrato, com mais aconchego que rejeição, com mais auto-estima que sujeição, será que agora aqueles meninos estariam todos mortos?”.

So posso chegar a uma conclusão: o terceiro grupo é no mínimo mais corajoso.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

A Flor Contra A Máquina II


"...Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e a prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos."

Charles Chaplin

Ele me lembra alguém...

E esse cara nasceu no mesmo dia do mesmo ano de Adolf Hitler... Só pode ser a lei universal da compensação...


Nasceu!

Nesta madrugada de 12 de fevereiro nasce a Bromélia que por tanto procuro e que por agora dou-me pela existência!

Vou botar pra fora!

A Minha Melhor

Agora não falarei sobre o mundo.
Nem sobre as contradições
nas quais estamos submetidos.
Como quando há Mercedes e Josés
No mesmo mundo, mas em
Planetas Terra diferentes.
Ou como quando não sabemos
se foi o Homem que criou o Mercado
ou foi o Mercado que o criou
à sua imagem e semelhança, como
aquele velho livro infantil dizia.
Não, não falarei sobre as razões
do mundo.
Porque ele é tão injusto e como
ainda somos tão macacos para
entender suas razões. Se o mundo
somos nós e não nos entendemos,
mal nos conhecemos. Não temos razão.
Não vou falar de como o
mundo necessita mais de sensibilidade
que de economistas inteligentes,
que mesmo inteligentes, confundem homens
com chapéus.
Necessita mais de mães compreensivas
Que de policiais armados com
Objetos fálicos em suas cinturas.
O mundo não precisa de Deus,
O mundo precisa de abraços.
(É sério, não há nada mais simples,
e também por isso, mais divino
que um abraço acalentador.
Seja em quem for, onde for e no que for.)
Mas não falarei nada sobre isto.

Só sentirei aqui dentro, como sinto agora
Contemplando o lindo silêncio desse papel.

O Tempo Virtual (Ou O Princípio da Grande Redundância)

esse relógio do blogger tah meio safado...
"Olho os livros na minha estante e nada dizem de importante, servem só pra quem não sabe ler"
Raulzito.

Grande Raulzito...